Os espaços / Espinho
Bicha das Sete Cabeças
- Concelho
- Espinho
- Freguesia
- Silvalde
- Área
- 20 ha
A Bicha das Sete Cabeças é uma quinta agrícola com bosque, de cerca de 20 ha, no vale da Ribeira de Silvalde. Na margem da ribeira ergue-se uma casa-moinho, com o moinho de água no rés-do-chão, e de um meandro parte uma levada que alimenta um açude anexo, que serviu de lavadouro. Em redor há um campo com pomar na parte alta e uma vegetação ribeirinha muito densa de choupos, plátanos, amieiros e salgueiros; a norte e a nascente há pinhais e eucaliptais. Moradores observam raposas, doninhas, milhafres, galinhas-d’água, patos-bravos, coelhos-bravos, rolas-bravas, pintassilgos, piscos e lugres. Há cerca de dez anos ainda se pescavam enguias na ribeira.
O lugar tem uma lenda popular: junto à ponte romana, uma mulher que trabalhava o campo viu aproximar-se um monstro de muitas cabeças, e à noite o gado do povoado foi atacado; os camponeses vigiaram e acabaram por matar a bicha, a que contaram sete cabeças, e enterraram-na junto de um pilar da ponte, onde ergueram uma capela que uma cheia levou. Hoje resta uma placa de azulejo a contar a lenda, que as escolas de Espinho usam em desfiles de Carnaval e peças de teatro, e o rancho folclórico de Silvalde difunde. Existem ainda no local um moinho mais antigo em ruínas, um fontanário, uma eira, um canastro, currais e uma ponte romana muito descaracterizada.
O terreno é propriedade privada e está para arrendar. Segundo vizinhos, os proprietários recusaram a venda que a Câmara Municipal de Espinho propôs para alargar o Parque da Cidade, de que o terreno é fronteiro. No PDM é Estrutura Ecológica em Espaço Urbano, nas áreas ribeirinhas urbanas, e uma faixa estreita da ribeira está em Reserva Ecológica Nacional. Está ameaçado pela poluição da ribeira e dos solos, com detritos e águas residuais lançados a montante, e pelo abandono do moinho.
Sugere-se acabar com os focos de poluição da ribeira, incluir os moinhos na carta do património do PDM e recuperar os cerca de vinte moinhos de água que a região teve, numa rota dos moinhos. A casa poderia ser arrendada para um museu vivo da moagem e da agricultura, com percursos pedonais e cicláveis ao longo da ribeira até ao mar e uma quinta pedagógica de agricultura biológica.








