Os espaços / Gondomar
Rio Ferreira
- Concelho
- Gondomar
- Freguesia
- Sobrado, Campo e Valongo (1), Jovim, São Pedro da Cova e Foz do Sousa (2)
- Área
- 21 ha
O Rio Ferreira, com cerca de 21 ha considerados no concelho, é o principal afluente do Rio Sousa. Nasce em Paços de Ferreira, atravessa Paredes, Valongo e Gondomar (Jovim, São Pedro da Cova e Foz do Sousa) e desagua no Sousa, em Foz do Sousa. É um rio de meandros, que corre num vale encaixado entre as Serras de Santa Justa, Pias e Castiçal, com gargantas apertadas e os «Saltos do Ferreira». A bacia tem 184 km² e cerca de 200 mil habitantes.
Perto da foz as margens são pouco urbanizadas, com campos agrícolas e troços de galeria ripícola de amieiros, salgueiros e freixos, e nas margens mais escarpadas dominam pinheiros e eucaliptos. Neste vale, no Parque Paleozóico de Valongo, vivem fetos raros, como a Culcita macrocarpa, a Trichomanes speciosum e a Lycopodiella cernua; o Sítio Valongo da Rede Natura 2000 é dos mais importantes para a salamandra-lusitânica. Há plantas carnívoras, como as orvalhinhas e o pinheiro-baboso, lontras, texugos, morcegos nos fojos e 58 espécies de aves. Com o fecho de fábricas a montante voltaram os barbos e o guarda-rios.
A região do Vale do Sousa liga-se à nobreza medieval portuguesa e às ordens religiosas, e a Serra de Santa Justa guarda os mais importantes vestígios romanos de exploração de ouro no Norte do país, no distrito mineiro Dúrico-Beirão. Ao longo do rio há moinhos e azenhas abandonados. Os terrenos das margens, públicos e privados, estão em Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional e integram o Sítio Valongo, com 649 ha em Gondomar.
O rio já foi classificado como «extremamente poluído», por falta de saneamento, e sofre com a indústria, a pressão urbanística, as invasoras (eucalipto, acácias) e o abandono do património. Em 2009 foi assinado um protocolo para a sua recuperação, e o projecto «Corrente Rio Ferreira» fez o levantamento dos proprietários marginais e das ligações ilegais ao saneamento; segundo a Câmara, os níveis de poluição desceram. A Associação de Protecção dos Rios Sousa e Ferreira, fundada em 2010, faz caminhadas, plantações e acções de formação, mas alertou em 2014 para o provável aumento da poluição enquanto o saneamento não estiver concluído. Em 2017 as Serras de Santa Justa, Pias, Castiçal, Santa Iria, Flores e Banjas, com cerca de 6000 ha, foram classificadas como Paisagem Protegida Regional, gerida pela Associação de Municípios Parque das Serras do Porto.
Sugere-se valorizar o património construído (moinhos, azenhas, pontes), eliminar as invasoras e repor espécies autóctones, dinamizar a agricultura, promover o desporto e a educação ambiental, despoluir o rio e criar praias fluviais.







