Os espaços / Gondomar
Rio Sousa
- Concelho
- Gondomar
- Freguesia
- Covelo e Foz do Sousa
- Área
- 60 ha
O Rio Sousa, afluente da margem direita do Douro, nasce em Friande (Felgueiras) e desagua em Foz do Sousa, em Gondomar, onde recebe o Rio Ferreira; no concelho, o espaço tem cerca de 60 ha, em Covelo e Foz do Sousa. Atravessa Felgueiras, Lousada, Penafiel, Paredes e Gondomar. Corre num vale circunscrito pelas Serras de Valongo e delimita a sul o Sítio Valongo da Rede Natura 2000.
A bacia dos rios Sousa e Ferreira tem galerias ripícolas de amieiro, salgueiro-negro e freixo, relativamente bem estruturadas, carvalhais e loureirais, matos rasteiros nas serras e plantas raras nas escarpas, como a Senhora do Salto, onde nidifica um casal de falcão-peregrino. Vivem aqui lontras, texugos, raposas, geneta, muitos anfíbios e répteis e 58 espécies de aves. Em Foz do Sousa, segundo a Câmara Municipal de Gondomar, há amiais ripícolas de conservação intermédia, com loureiro e gilbardeira, e mais de 131 espécies de vertebrados descritas. A Ribeira de Fontão, com vegetação autóctone exuberante e vestígios de moinhos, é das zonas de maior valor.
A história do Vale do Sousa liga-se à nobreza medieval, aos Sousas e aos Riba Douro, e às ordens religiosas. As mineralizações de ouro e antimónio fazem parte do distrito mineiro Dúrico-Beirão, com explorações romanas bem visíveis nas Serras de Santa Justa e das Banjas. Os terrenos das margens são públicos e privados, com agricultura, em Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional, e, pela carta de condicionantes, zona de regadio.
A bacia é das mais degradadas em azoto, fósforo e metais pesados, por causa da densidade populacional e da indústria; a poluição é mais grave a montante, em Paredes, Penafiel e Lousada, e as escorrências das minas desactivadas de São Pedro da Cova, Midões e Montalto pesam no concelho. Outras ameaças são as invasoras (eucalipto e acácias), a pressão urbanística e industrial e o abandono de moinhos e da antiga estação de captação de águas de Foz do Sousa, que poderia ser museu. A Associação de Protecção dos Rios Sousa e Ferreira (2010) faz sensibilização e plantações, e o município e as escolas mantêm acções; a obra do programa Polis não chegou a Foz do Sousa, terminando em Gramido. O Parque das Serras do Porto, criado em 2017, abrange parte da bacia.
Sugere-se valorizar o património (moinhos, azenhas, estação de captação, pontes), eliminar as invasoras, dinamizar a agricultura, promover desporto e lazer, despoluir o rio e os afluentes, alargar os espaços verdes nas margens e criar praias fluviais.







