Mapas interactivos de vegetação, uso do solo e mudanças urbanas no Porto

Os espaços / Maia

50 espaços verdes em perigo, a preservar: início da campanha

Rio Leça e à Ribeira do Arquinho

Concelho
Maia
Freguesia
Águas Santas, Milheirós, Gueifães, Maia e Moreira (rio Leça), S. Pedro de Avioso, Santa Maria de Avioso, Gondim, Barca, Vermoim, Nogueira, Gueifães, Milheirós e Águas Santas (Ribeira do Arquinho)
Área
11,5 ha

O Rio Leça e a Ribeira do Arquinho percorrem o concelho da Maia: o Leça atravessa Águas Santas, Milheirós, Gueifães, Maia e Moreira, e o Arquinho, seu maior afluente, nasce em São Pedro de Avioso e passa por Santa Maria de Avioso, Gondim, Barca, Vermoim, Nogueira, Gueifães e Milheirós antes de desaguar em Águas Santas. O Leça nasce no Monte de Santa Luzia, em Santo Tirso, tem cerca de 47 km e uma bacia de 190 km², e o Arquinho, que também se chama Ribeira de Avioso ou Rio Almorode, tem 11 km e uma bacia de 33 km².

No século XIX e princípios do XX o Leça era um dos rios mais belos do Norte; a industrialização, a partir dos anos 60, matou os peixes e, até aos anos 90, foi dos mais poluídos da Europa, com construção anárquica e lixo nas margens. O troço final, na Maia e em Matosinhos, é muito urbano e industrial, mas ainda há zonas rurais, em Alfena, Milheirós e Águas Santas. O milho domina a agricultura, nos vales de aluvião, e o eucalipto e o pinheiro-bravo a floresta. O Arquinho teve fauna e flora notáveis, cheias que fertilizavam os campos, moinhos e lavadeiras; com o fecho de algumas indústrias e a melhoria do saneamento, parece estar a recuperar, com o regresso dos peixes. Os corredores ripícolas da Maia cobrem 8,7 km, com choupos, freixos, amieiros e, por vezes, carvalhos.

Nas margens há património religioso, como a Igreja de Nossa Senhora do Ó, monumento nacional desde 1910, com duas naves desiguais de origem românica, a capela de Nossa Senhora de Guadalupe, de 1722, e a Quinta do Mosteiro, e os moinhos de rodízio, mais de 60 contados nos dois rios, nos núcleos de Ardegães e Alvura. Os núcleos rurais de Mandim, Calquim, Fundevila, Casal e Sá testemunham a forte identidade agrícola da Maia.

Os corredores estão em Reserva Ecológica Nacional, Reserva Agrícola Nacional e domínio público hídrico, e o Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável da Maia prevê corredores ecológicos ao longo dos dois cursos de água. As ameaças são a elevada carga orgânica das águas, os lixos, a pressão urbanística e industrial e o abandono do património rural e da agricultura. A Câmara Municipal da Maia aderiu em 2007 ao programa Corrente Rio Leça e continua nele, com forte participação pública; em 2011 entraram novos parceiros e há três projectos complementares: Rotas de Reabilitação de Rios, Corrente Social e Viagens no Tempo. Em 2012 e 2014 houve acções de monitorização e de limpeza das margens do Arquinho com voluntários e, desde 2011, plantações de espécies autóctones no projecto «100 000 árvores na AMP». Sugere-se requalificar e renaturalizar toda a bacia, fiscalizar as descargas, eliminar ligações clandestinas, monitorizar a água, plantar autóctones, recuperar pontes e moinhos e sensibilizar a população.

Mapas e plantas

Mapa de Rio Leça e à Ribeira do Arquinho