Mapas interactivos de vegetação, uso do solo e mudanças urbanas no Porto

Os espaços / Maia

Zona verde circundante ao rio Leça
50 espaços verdes em perigo, a preservar: início da campanha

Zona verde circundante ao rio Leça

Concelho
Maia

A zona verde circundante ao Rio Leça, em Águas Santas, tem cerca de 20 ha, contando a parte do concelho vizinho de Matosinhos, e inclui os lugares de Parada e Venal, a jusante da Ponte de Parada, Boi-Morto e o Parque de Infesta, junto à fábrica de massas. O Venal e o Monte de Infesta são terrenos de encosta atravessados pelo rio. O lugar de Parada tem terrenos marginais com bosque de carvalhos, sobreiros, eucaliptos e espécies ripícolas e uma rica avifauna, incluindo aquática. O Boi-Morto tem elevado valor patrimonial e paisagístico, com casas rurais, campos agrícolas e áreas florestais ao longo do Ribeiro do Boi-Morto, que desagua no Leça. Junto ao rio há campos cultivados e pequenas hortas de hortícolas para venda, com ramadas de videiras, árvores de fruto dispersas e milho; o património associado à agricultura é muito rico, com celeiros, espigueiros, muros e casas rurais.

Perto fica a capela de Nossa Senhora de Guadalupe, construída em 1722 sobre uma ermida de 1633, de traça barroca e interior integralmente pintado, num morro com miradouro sobre São Mamede, Leça do Balio e a Maia. A Ponte de Parada serve de passagem do Caminho Português de Santiago entre o Porto, Braga e Ponte de Lima.

O Leça nasce no Monte de Santa Luzia, em Santo Tirso, percorre 46,8 km até Leça da Palmeira, no porto de Leixões, e foi, entre os anos 60 e 90, dos rios mais poluídos da Europa. A propriedade dos terrenos marginais é desconhecida. Os corredores verdes do Leça na Maia estão em Reserva Ecológica Nacional, Reserva Agrícola Nacional e domínio público hídrico, e no PDM de 2009 a área é de «áreas verdes de protecção de recursos naturais», o que substituiu a classificação anterior de área florestal e agro-florestal; foram definidos corredores ecológicos na Estrutura Ecológica Municipal. As ameaças são a elevada carga orgânica da água, o lixo nas margens, a pressão urbanística e industrial, o corte de árvores e o abandono agrícola; em 2014 a qualidade da água continuava baixa, embora haja trabalhos de manutenção e desobstrução das linhas de água.

A Câmara aderiu em 2007 ao programa Corrente Rio Leça e continua nele; colabora no projecto «100 000 árvores», com plantações de espécies ripícolas autóctones, e em 2016 foi criado um grupo de trabalho da Área Metropolitana do Porto para requalificar todo o corredor, da nascente à foz. A acção cívica pelo rio vem dos anos 1990, com uma associação de amigos do Leça, e escolas de Matosinhos fizeram projectos anuais entre 2005 e 2013, com encontros intermunicipais, que levaram os municípios a aderir ao programa. Há uma proposta de uma consultora para recuperar a galeria ripícola, abrir percursos pedonais e cicláveis e construir uma ludoteca em Parada, em avaliação pela Câmara. Sugere-se renaturalizar as margens, fiscalizar as descargas, eliminar ligações clandestinas e sensibilizar a população.

Zona verde circundante ao rio Leça
Zona verde circundante ao rio Leça

Mapas e plantas

Mapa de Zona verde circundante ao rio Leça