Os espaços / Porto
Quinta da Prelada
- Concelho
- Porto
- Freguesia
- Ramalde
- Área
- 22,8 ha
A Quinta da Prelada, na freguesia de Ramalde, tem cerca de 22,8 ha e estende-se dos dois lados da VCI, junto ao Hospital da Prelada e ao Parque de Campismo da Prelada, com limite a norte nas ruas de Maria Lamas, de Santa Luzia e do Monte dos Burgos e a sul na Travessa da Prelada. É uma grande quinta de valiosíssimo património, parcialmente esventrada pela VCI desde 1989. Os primeiros proprietários promoveram entre 1743 e 1758 uma residência de verão, entregue a um arquitecto italiano que traçou também o jardim com labirinto de buxo e o envolvimento paisagístico, com fontes, chafarizes e escadarias em granito, e um lago com uma ilha e um castelinho de recreio. Integrava a Mata da Prelada, com árvores centenárias, e são visíveis do exterior duas tílias de grande porte, uma araucária e alguns choupos; a paisagem do parque de campismo é dominada por pinheiros e eucaliptos.
Referenciada nas Inquirições do século XIII como Petra Lata, a quinta ficou associada ao movimento liberal, por o caminho que a flanqueava ter sido usado pelos expedicionários liberais que entraram na cidade a 9 de Julho de 1832. O chafariz (Fonte do Cágado) e os obeliscos estão hoje no jardim do Passeio Alegre, na Foz do Douro. A casa senhorial data do início da segunda metade do século XVIII; o portão barroco, de fins do século XVII, é mais antigo que a casa, mandada construir em 1754. Foi residência de uma família até 1904, quando foi doada à Santa Casa da Misericórdia do Porto, hoje proprietária. Nos anos vinte funcionaram ali estúdios da Invicta Film. O lago, as fontes e a escadaria que restam, bem como os obeliscos do Passeio Alegre, são Imóveis de Interesse Público desde 1938.
No PDM do Porto está classificada como «espaço verde de utilização pública» e «área de habitação unifamiliar», integrada na UOPG 13 – VCI e na UOPG 5 – Prelada, esta com o objectivo de ligar as duas margens da VCI, criar uma área verde pública associada à quinta e repor a céu aberto a linha de água, com ocupação dominante de habitação e verde público. Na carta de condicionantes está integralmente enquadrada em «mata de sobreiros», com zona de protecção à Casa e Quinta da Prelada; na carta de património é «espaço verde de valor patrimonial». Era um dos espaços agrícolas semi-abandonados remanescentes da cidade, em avançado estado de degradação e com ameaça de pressão imobiliária; algumas áreas eram aproveitadas para agricultura e a Comissão de Jovens de Ramalde defendia a sua preservação como futuro espaço verde público. Defendeu-se a requalificação do património natural e construído (incluindo o curso de água), uma rede ecológica, o aproveitamento do viaduto abandonado sobre a VCI como corredor ecológico suspenso e uma quinta pedagógica.
Em 15 de Outubro de 2014, segundo a Campo Aberto com informações da Santa Casa da Misericórdia do Porto, a quinta estava fechada ao público desde Dezembro de 2006, quando encerrou o Parque de Campismo que ali funcionava desde 1961, aberta apenas episodicamente em eventos; a imprensa referia intenções de a reabilitar e abrir ao público, havendo um protocolo com o Sport Clube do Porto com esse fim. A ligação à Casa da Prelada, por uma extensa alameda, foi cortada em 1989 pela VCI, subsistindo um túnel de acesso privado a pé. Depois de 2008 a Casa da Prelada foi restaurada e acolhe actividades públicas e visitas guiadas. Apesar de alguma protecção parcial, o PDM em vigor prevê ali habitação unifamiliar, e a Campo Aberto defende a requalificação de toda a quinta, uma rede ecológica e uma quinta pedagógica.








