Mapas interactivos de vegetação, uso do solo e mudanças urbanas no Porto

Os espaços / Póvoa de Varzim

Campos de Masseira
50 espaços verdes em perigo, a preservar: início da campanha

Campos de Masseira

Concelho
Póvoa de Varzim
Freguesia
Aguçadoura, Estela e Apúlia (em Esposende)
Área
453 ha

Os campos de masseira, também chamados campos-gamela ou campos-tabuleiro, são uma forma de agricultura única no mundo, própria das freguesias de Estela e Aguçadoura, na Póvoa de Varzim, e da vizinha Apúlia, em Esposende. Estende-se por cerca de 450 ha de terrenos de areia de duna, na faixa litoral entre a foz do Neiva e as terras a norte da Póvoa.

Cada masseira é uma cova larga, rectangular ou quadrada, com cerca de três metros de profundidade, aberta na areia até perto do nível freático e dividida em talhões onde se cultivam sobretudo hortícolas, de grande fertilidade. As paredes inclinadas, os «valos» ou «moios», são encimadas por caniçais e pinheiros e plantadas de vinha, e protegem o fundo dos ventos do Norte; a cova aquece como uma estufa e a água é doce, não salgada como se poderia supor. É um sistema de produção intensiva em pequenas explorações, que exige muita água e sargaço, inventado no século XVIII por monges beneditinos da Abadia de Tibães. Entre os elementos da paisagem contam-se as dunas litorais, e a fauna dominante é a dos passeriformes comuns.

Os terrenos são propriedade privada, em parcelas pequenas, e estão integrados em Reserva Agrícola Nacional e em Reserva Ecológica Nacional, dentro do Parque Natural do Litoral Norte. Em 2014 a Câmara Municipal da Póvoa de Varzim indicava que a área seguia maioritariamente em REN e RAN e que, no PDM em revisão, passava a espaços agrícolas de produção e de ocupação turística integrados na Estrutura Ecológica, além do perímetro urbano da Aguçadoura.

As ameaças são a pressão urbanística, a poluição das águas e dos solos, a deposição ilegal de lixo, o abandono das explorações, a extracção de areias para a construção e a popularização das estufas, que põe esta agricultura em risco de extinção. Em 2002, produtos biológicos de campos de masseira chegaram à final do prémio internacional Slow Food para a Defesa da Biodiversidade, e um estudo do Instituto Politécnico de Viana do Castelo com o Parque Natural do Litoral Norte propôs medidas agro-ambientais e uma bolsa de agricultores de masseira, com apoios comunitários, para incentivar a produção biológica e travar a extracção de areias.

Foram sugeridos percursos pedonais e ciclovias, um agro-museu ou centro de interpretação e quintas pedagógicas. A ciclovia foi concretizada, no antigo canal ferroviário Póvoa de Varzim–Famalicão, e a Junta de Freguesia de Aguçadoura e Navais tem um projecto de «campo de masseira-museu», segundo a Câmara em 2014. O espaço é visitado por escolas, em percursos de educação ambiental, e por turistas.

Campos de Masseira
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Mapas e plantas

Mapa de Campos de Masseira