Os espaços / Vila do Conde
Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica do Mindelo
- Concelho
- Vila do Conde
- Freguesia
- Azurara, Árvore, Mindelo, Vila Chã e Labruge
- Área
- 600 ha
A Reserva Ornitológica do Mindelo, hoje Paisagem Protegida Regional do Litoral de Vila do Conde e Reserva Ornitológica de Mindelo, ocupa cerca de 600 ha entre Azurara, Árvore, Mindelo, Vila Chã e Labruge. O seu valor está no mosaico de dunas, zonas húmidas, extensa mata e campos agrícolas, que a torna um espaço único em Vila do Conde e na Área Metropolitana do Porto e um refúgio essencial para aves migratórias e anfíbios. Foram observadas cerca de 153 espécies de aves e 14 das 17 espécies de anfíbios de Portugal, entre elas o tritão-palmado, o mais raro do país, e as populações costeiras conhecidas mais a norte do sapinho-de-verrugas-verdes, do sapo-de-unha-negra e da salamandra-de-costelas-salientes. Há também esquilos, coelhos, raposas, ouriços-cacheiros, morcegos e o lagarto-de-água, matas ribeirinhas e sebes bem conservadas e flora dunar com endemismos do Noroeste Ibérico, dois deles exclusivamente portugueses.
Foi, a 2 de Setembro de 1957, a primeira área protegida instituída em Portugal, com o apoio expresso de todos os proprietários, que participaram na gestão e nas actividades de anilhagem. Serviu de base a numerosos estudos científicos, e o interesse dos naturalistas pela região remonta ao fim do século XIX. Tem casas de lavoura, azenhas e moinhos, a Vila Corina, os campos masseira e a Igreja de São Francisco de Azurara, e é local de eleição para os piqueniques do Dia do Anjo, na segunda-feira de Páscoa. Não tem estruturas de recepção de visitantes.
A Assembleia Metropolitana do Porto criou em 21 de Setembro de 2009 a Paisagem Protegida Regional (Aviso n.º 17821/2009), com 365 ha e 8,6 km de costa, e aprovou o respectivo regulamento; a área aqui considerada não coincide exactamente com ela. Os terrenos são públicos e privados, sobretudo privados, e há áreas de REN, RAN e abrangidas pelo POOC; é Biótopo Corine e refúgio de caça, e o Plano de Ordenamento da Orla Costeira reconhece-a como uma das zonas húmidas litorais mais bem conservadas entre Caminha e Espinho. No PDM a paisagem protegida está em RAN, REN e área de ocupação condicionada.
A pressão urbanística foi fortíssima: de 1958 a 2000 os terrenos urbanos e industriais cresceram 600%, de 4% a 26% da área, e as zonas húmidas diminuíram 70%. Extraíram-se areias das dunas, depositaram-se lixos, poluíram-se as ribeiras, expandiram-se as exóticas, houve captura e abate ilegais de aves e incêndios de origem duvidosa. Em 2014 a Câmara apontava depósitos de lixo e as invasoras (austrálias, plumas e chorões) e, em 2016, o pisoteio das dunas por veículos motorizados. A Câmara limpa caminhos, remove invasoras, recolhe lixos, planta árvores autóctones, reabilita linhas de água e charcos, organiza percursos, observação de aves e sessões de anilhagem e instalou um passadiço paralelo à costa; os proprietários que cortaram eucaliptos em 2012 foram incentivados a plantar espécies autóctones, e em 2013 plantou-se pinheiro-manso. Há quem considere que a protecção só será efectiva com muito mais vigilância e fiscalização.
Os Amigos do Mindelo, que contrataram em 2007 um guardião da natureza, defendem uma área que proteja o património natural e promova actividades sustentáveis, turismo, lazer e educação em meio natural; estudantes de arquitectura paisagista propuseram um agroparque que combine agricultura sustentável com recreio e educação.











