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Os espaços / Vila Nova de Gaia

Quinta Marques Gomes
50 espaços verdes em perigo, a preservar: início da campanha

Quinta Marques Gomes

Concelho
Vila Nova de Gaia
Freguesia
Canidelo
Área
33 ha

A Quinta Marques Gomes, ou Quinta do Montado, em Canidelo, tem cerca de 33 ha e é a extensão natural do estuário do Douro, abrigada dos ventos e das ondas pelas areias do Cabedelo. Integra a Baía de São Paio e alternava campos cultivados, pastagens e prados selvagens com uma vasta zona florestal, a emoldurar o cenário do estuário. Tinha metrosídeo-gigante com raízes aéreas, pinheiros, eucaliptos, castanheiros, carvalhos, tílias, amoreiras, camélias, palmeiras-das-Canárias, melaleuca e araucárias, e fauna de gaviões, águia-de-asa-redonda, corujas, noitibós, garça-real, passeriformes, coelhos, raposas e esquilos. Um caseiro mantinha os campos cultivados.

No centro ergue-se um palacete de finais do século XIX, com 37 salas, tectos lavrados e frescos, que precisa de obras urgentes de recuperação, além de uma casa agrícola e um espigueiro. A quinta ficou ligada a um filho de pescadores de Canidelo que fez fortuna no Pará, no Brasil, voltou em 1890, construiu o palacete, uma escola primária, um apeadeiro, um campo de futebol e uma fábrica de conservas, e plantou a floresta que o rodeia; morreu em 1932 e os herdeiros partilharam a propriedade. Depois de 1974 serviu uma instituição social e um infantário, e entre 1975 e 1991 o Centro Popular de Canidelo e uma cooperativa de educação. É miradouro privilegiado sobre o estuário e a Foz do Douro, e usada por praticantes de BTT por entradas clandestinas.

Foi comprada por um investidor que quis construir um empreendimento turístico, anulado pela Câmara com o argumento de que o testamento do antigo proprietário a queria sempre um lugar feliz; passou depois ao Banco Espírito Santo e à sua gestora de fundos imobiliários, que apresentou um projecto de 1100 casas em 148 mil m², chumbado pela CCDR-N. Por acordo com a Gaia Polis e a Câmara a capacidade construtiva foi reduzida em dois terços, com 100 mil m² de espaço verde cedido à autarquia para o Parque Urbano do Vale de São Paio. O Plano de Pormenor São Paio–Canidelo, que incluía alguma preservação, nunca foi concluído. No PDM de 2009 é «quinta em espaço urbano», na Estrutura Ecológica Fundamental e como património arquitectónico; a Câmara informa que nunca esteve em REN, ao contrário do que se julgava.

Em 2014, quem olhava da margem do Porto via uma enorme ferida na paisagem, com quase todo o coberto vegetal arrasado. A erosão nos invernos seguintes escorreu para o Douro e bloqueou as vasas do estuário, impedindo as trocas gasosas e a sobrevivência dos invertebrados de que se alimentam peixes e aves. O primeiro projecto imobiliário incluía um parque público de 15 ha, e o mais recente contempla praticamente só ruas arborizadas. Associações ambientalistas da região, como a TerraViva e o Movimento dos Amigos do Ambiente de Canidelo, opuseram-se durante anos à destruição, e este movimento fez acções de sensibilização nas escolas da freguesia. Sugeria-se um espaço aberto ao público, com acesso vigiado, gerido como a Mata do Buçaco ou a Serra de Sintra, com um posto de informação e, eventualmente, o novo Parque do Vale de São Paio.

Quinta Marques Gomes
Quinta Marques Gomes
Quinta Marques Gomes
Quinta Marques Gomes
Quinta Marques Gomes

Mapas e plantas

Mapa de Quinta Marques Gomes
Mapa de Quinta Marques Gomes