Os espaços / Vila Nova de Gaia
Rio Febros
- Concelho
- Vila Nova de Gaia
- Freguesia
- Seixezelo, Olival, Pedroso, Vilar de Andorinho, Avintes e Oliveira do Douro
- Área
- 71,5 ha
O Rio Febros é o último afluente da margem esquerda do Douro, com cerca de 15 km e 37 km² de bacia, e o único curso de água que nasce e desagua no concelho de Vila Nova de Gaia. Nasce no Parque das Corgas (Seixezelo), a 170 m de altitude, atravessa Seixezelo, Olival, Pedroso, Vilar de Andorinho, Avintes e Oliveira do Douro, e desagua no Cais do Esteiro, a 10 km da foz do Douro, num vale granítico. O espaço tem cerca de 71,5 ha; foi diminuído pela construção da A32.
O inventário do Parque Biológico de Gaia regista um corredor ripícola e florestal com numerosas aves (águia-de-asa-redonda, açor, gavião, pica-peixe, poupa, papa-figos), peixes em recuperação desde finais dos anos 80 (barbos, escalos, bogas, enguia, solha), anfíbios e répteis (tritão-de-ventre-laranja, rã-ibérica, lagarto-de-água, cágado), 41 borboletas, dez fetos, cerca de 150 plantas silvestres e muitas árvores, do azevinho ao sobreiro e ao teixo. A lontra desapareceu nos anos 80 e regressou, graças à melhoria da água, e há também melro-de-água.
A água estava muito degradada pela poluição urbana, industrial e agrícola, com carência bioquímica de oxigénio e amónio, nitratos e fosfatos elevados, embora bem oxigenada pelos turbilhões e pelas macrófitas; a poluição já se debatia em 1956. A ETAR do Rio Febros, das Águas de Gaia, o desvio das águas residuais da Urbanização de Vila D’Este e o fecho de unidades industriais melhoraram a qualidade, mas a ETAR recebe só 70% das águas residuais da parte ocidental da bacia, e em Dezembro de 2015 o rio estava muito degradado por receber as águas pluviais da A32, carregadas de sedimentos da erosão dos taludes. A pressão urbanística, o abate de árvores, o lixo nas margens, as invasoras (acácias e eucaliptos) e as descargas ilegais são outras ameaças.
O Febros moveu os moinhos que fizeram a fama das padeiras de Avintes, cuja broa seguia do Cais do Esteiro para o Porto nos valboeiros; ainda há pontes antigas, moinhos individuais e complexos adaptados a habitação, tanques, fontanários, cruzeiros e património industrial. Os terrenos das margens são privados, com áreas de REN e RAN; no PDM de 2009 são solo rural (áreas naturais ribeirinhas, agrícolas e florestais de protecção), em Estrutura Ecológica Fundamental. O Parque Biológico de Gaia faz visitas e quer repovoar o rio, a associação Onda Verde fez em 2006 um trilho interpretativo de 4,5 horas (ida e volta) entre Avintes e o Parque Biológico e promove limpezas, e a ETAR recebe visitas de escolas. Em 2008 a Câmara candidatou a requalificação do rio ao QREN. Sugere-se integrar o Febros na estrutura verde, com corredores ecológicos pedonais e cicláveis da nascente à foz e a preservação dos moinhos, açudes e pontes.









