Os espaços / Vila Nova de Gaia
Serra de Negrelos (ou Serra de Canelas)
- Concelho
- Vila Nova de Gaia
- Freguesia
- Canelas e Perosinho
- Área
- 200 ha
A Serra de Negrelos, em Canelas e Perosinho, no centro do concelho, tem cerca de 200 ha e é uma formação granítica de declives acentuados que atinge cerca de 243 m, limitada a oeste pela A1. Com o Monte da Senhora da Saúde forma a linha de festo que separa o litoral do interior do concelho, e aqui nascem a Ribeira de Canelas e a Ribeira da Granja. Considerada por muitos o «pulmão de Gaia», protege as terras agrícolas dos ventos marítimos e é um miradouro sobre o Atlântico. O coberto é de pinheiros, eucaliptos e acácias, com castanheiros, sobreiros e carvalhos-alvarinho, e vivem aqui esquilos, doninhas, coelhos, raposas, gaviões, águia-de-asa-redonda, corujas, peto-verde e garça-real. Há uma rede de minas de água, presas e pequenos aquedutos, que poderia fazer da serra um museu natural da água.
Há vestígios da via romana de Lisboa a Braga, na Senhora do Monte e na Rua da Bela Vista, e a Capela do Senhor do Calvário, de 1839, a meia encosta, com acesso por calçada, cruzeiros e um parque de merendas. A serra já serve de parque de lazer, para BTT (acolheu campeonatos nacionais), futebol e passeios ecológicos; a Escola EB 2/3 de Canelas mantém, desde 1983, uma trilha de interpretação da natureza, a Junta de Freguesia de Perosinho organiza passeios com as escolas, e o Movimento Cívico da Vila de Canelas alerta para o estado de conservação.
No PDM de 2009 é solo rural, área florestal de produção, em Estrutura Ecológica Fundamental, nas unidades operativas UOPG CN1 – Serra de Negrelos e, a sul, UOPG PR1; está em REN (cabeceiras de linhas de água e risco de erosão) e, a sul, em RAN. A UOPG visa recuperar a paisagem, reconverter as pedreiras, criar uma rede pedonal e requalificar a mata para lazer e turismo. As ameaças são as pedreiras desactivadas e abandonadas, o entulho, a poluição de solos e águas, a pressão urbanística, o abandono, as invasoras (eucalipto e acácia), o abate de autóctones e os fogos; há três pedreiras, duas inactivas e uma aparentemente em funcionamento, com lagoas, onde já morreu um jovem. Em 2015 a serra estava muito degradada, usada para motocross e treino de cães de caça; existe proposta de reabilitação desde 1983, e o estudo de valorização da Câmara é de 1993 e continuava no papel em 1999, tendo-se feito apenas limpezas de entulho. Sugere-se erradicar lixeiras e pedreiras, despoluir nascentes, reconverter as lagoas, trocar as exóticas por autóctones, valorizar a calçada romana, criar trilhos e percursos por grau de dificuldade, um ecomuseu da água, um centro de educação ambiental e proibir veículos motorizados.









