Mapas interactivos de vegetação, uso do solo e mudanças urbanas no Porto

A campanha «50 Espaços Verdes»

Como nasceu

A Área Metropolitana do Porto perdeu, a um ritmo acelerado, as quintas e os campos agrícolas que formavam o seu mosaico de paisagens. Em Outubro de 2006 a Campo Aberto lançou a campanha «50 espaços verdes em perigo – 50 espaços verdes a preservar», apresentada em sessão pública na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto a 25 de Outubro desse ano. O objectivo: localizar, ajudar a conservar e promover a utilização de espaços verdes relevantes que, estando em risco, mereçam ser preservados.

A particularidade da campanha é que o inventário e a selecção resultaram da participação de cidadãos e de colectividades: escolas, juntas de freguesia, associações, cooperativas. A área abrangida era a do Grande Porto: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo, Vila do Conde e Vila Nova de Gaia.

Que espaços

Os critérios não eram rígidos. Em regra, o espaço devia ser verde (área natural, quinta, campo agrícola ou jardim privado), ter valor ecológico, não estar legalmente salvaguardado ou estar ameaçado, ter dimensão socialmente relevante (nada de canteiros) e situar-se no Grande Porto. Com raras excepções, todas as propostas foram validadas.

Do primeiro apelo à lista de 2009

  1. 2006 Lançamento da campanha e abertura à recepção de propostas, depois alargada até 31 de Julho de 2007.
  2. 2007 Em meados do ano estavam propostos mais de 70 espaços. A 15 de Julho realizou-se um almoço biológico e um debate no Jardim Botânico do Porto. Constituíram-se grupos de avaliação: peritos, trabalho, organizações não-governamentais, municípios e administração pública, e empresarial.
  3. 2008 Compilação de informação sobre cada espaço, com contributos dos proponentes, dos proprietários e das autarquias. A 9 de Outubro a Campo Aberto lançou um sítio dedicado à campanha.
  4. 2009 Em Abril ficou fixada a selecção dos 50 espaços a defender. Dos 111 espaços da compilação, 50 foram seleccionados; os outros 61 mantêm valor ecológico.
  5. Depois A campanha deu origem ao livro Espaços Verdes e Vivos – um futuro para a Área Metropolitana do Porto e a actualizações das fichas, incluindo a compilação de 2014–2016.

Os 50 não estão ordenados: a selecção distingue os que a Campo Aberto decidiu defender, sem os hierarquizar entre si.

O que a campanha não pretende

A Campo Aberto não propõe expropriar os terrenos nem alterar direitos de propriedade. A acção situa-se no condicionamento dos usos do solo, regulado pelos planos municipais de ordenamento do território, e a decisão final cabe sempre ao poder político, em particular às autarquias.

O Porto: um apelo na revisão do PDM

Quando o Plano Director Municipal do Porto esteve em revisão (2016 a 2021), circulou um apelo de subscritores dirigido à Câmara Municipal para salvaguardar os últimos espaços livres do concelho, antigas quintas agrícolas que o PDM em vigor destinava à urbanização. O apelo recorda que a campanha apontou como de salvaguarda urgente a Quinta da Bouça, os antigos terrenos agrícolas em Aldoar e Nevogilde e a quinta antiga perto da Prelada. Sobre Campanhã, a freguesia do Parque Oriental, a Campo Aberto defende um modelo de desenvolvimento diferente do das zonas mais urbanizadas do Porto.

Corrigir ou acrescentar informação

Sabe de uma alteração, para melhor ou para pior, num destes espaços? Escreva à Campo Aberto para contacto@campoaberto.pt, com o nome do espaço e, se puder, fotografias e a data da observação.